Professor: André Peron
 
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Tempo e Clima
14/02/09

 

Clima é o conjunto de variações do tempo de um determinado local da superfície terrestre. Assim, o clima corresponde ao comportamento da atmosfera, ao longo do ano, em determinado ponto da superfície terrestre. Os fenômenos meteorológicos ocorridos em um instante ou em um dia são relativos ao tempo atmosférico. Portanto, se dizemos que hoje o dia está quente e úmido, esta­mos nos referindo ao tempo, ao comportamento da atmosfera nesse dia. Por outro lado, se dizemos que na Amazônia o tempo é quente e úmido o ano inteiro, estamos nos referindo ao clima da região, ao comportamento da atmosfera ao longo do ano.

Sabe-se que cada região apresenta um clima próprio. O clima do Rio de Janeiro é diferente do clima de Pa­ris, por exemplo, devido a um conjunto diferenciado de fatores climáticos: latitude, altitude, massas de ar, continentalidade ou maritimidade, correntes marinhas, relevo, vegetação e urbanização. A conjugação desses fatores é responsável pelo comportamento dos atributos climáticos que são captados por nossos sentidos: temperatura, umidade e pressão atmosférica. A grande diversidade verificada na conjugação dos fatores climáticos pela superfície do planeta dá origem aos vários tipos de clima.

Para compreender­mos o clima de um local é preciso estudar os diversos tipos de tempo que costumam ocorrer no mesmo durante muitos anos seguidos (normalmente 30 anos). O resultado desse estudo, uma espécie de síntese dos tipos de tempo que normalmente ocorrem nesse local, será o clima. Mas tanto o tempo quanto o clima referem-se aos mesmos fenômenos atmosféricos: a temperatura e a insolação, a pressão atmosférica, os ventos, a umidade do ar e as precipitações (chuva, neve, geada, orvalho e granizo).
Há algumas décadas, costumava-se descrever o clima de um lugar citando-se as médias aritméticas de temperatura, pluviosidade, etc., registradas anualmente nesse lugar. Esse procedimento é hoje considera­do incorreto, pois duas áreas podem ter médias semelhantes e, apesar disso, apresentarem climas bem diversos.

O importante não é saber tanto as médias anuais (de temperatura, de chuvas, etc.), e sim a dinâmica atmosférica dessa área: as variações diárias e anuais da temperatura, da umidade, da pressão atmosférica, etc., e o porquê dessas oscilações. O elemento mais importante para explicar as mudanças no comportamento dos fenômenos atmosféricos são as massas de ar.


FATORES CLIMÁTICOS

Quanto maior a latitude, ou seja, quanto mais nos afastamos do Equador, menores são as médias térmicas anuais. Por ser esférica, a Terra é iluminada pelos raios solares que a atingem em diferentes inclinações. Quanto mais próximo do Equador, menor é a inclinação com que os raios solares incidem na superfície terrestre. Em contrapartida, quanto maior a latitude, mais acentuada é essa inclinação e maior a área aquecida e, portanto, menor é o aquecimento. 
Quanto maior a altitude, menor a temperatura. No alto de uma grande serra é mais frio, no mesmo instante e na mesma latitude, que ao nível do mar. Isso acontece porque a atmosfera se aquece principalmente por irradiação; os raios solares aquecem a superfície na qual incidem, seja continente ou oceano, que irradiará o calor absorvido à atmosfera. Quanto maior a altitude, menor a área de superfície da crosta que absorve e irradia calor, e menor, portanto, a temperatura. Há que se considerar, ainda, que o ar se torna mais rarefeito, ou seja, há uma menor concentração de gases e de umidade à medida que aumenta a altitude, o que reduz a retenção de calor nas camadas mais
elevadas da atmosfera, diminuindo, assim, a temperatura.

As massas de ar constituem volumes da atmosfera (semelhantes a enormes "bolhas" ou "bolsões") que têm algumas propriedades em comum (pres­são, temperatura, umidade), em virtude da área em que se localizam. Existem massas de ar polares, equatoriais, tropicais oceânicas e continentais, etc. Elas se movimentam constantemente e, com freqüência, uma empurra a outra e ocupa seu lugar. A dinâmica das massas de ar é responsável pela maior parte das alterações do tempo de um lugar (frio, chuvas, etc.).

Essas grandes porções ou volumes da atmosfera se originam quando o ar fica estacionado sobre extensas áreas de superfície homogênea, como as zonas polares, os desertos, os oceanos, as grandes florestas, etc. Ao ficar estacionada sobre essas superfícies por um tempo, uma par­te da atmosfera adquire suas características de temperatura, umidade e pressão. É por isso que existem massas de ar frias ou quentes, secas ou úmidas que, ao se deslocarem, vão interagindo umas com as outras, provocando uma grande troca e redistribuição de energia, na forma de calor, pelo globo.

No território brasileiro, atuam as seguintes massas de ar:

  - massa equatorial atlântica (mEa) - quente e úmida, domina a parte litorânea da Amazônia e do Nordeste em alguns momentos do ano e tem seu centro de origem no oceano Atlântico (ao norte da linha do equador, próximo ao arquipélago dos Açores);
- massa equatorial continental (mEc) - também quente e úmida, com centro de origem na parte ocidental da Amazônia, domina a porção noroeste da Amazônia durante praticamente todo o ano. É a única massa continental (que se localiza acima dos continentes) úmida no globo, pois, como regra geral, as massas de ar oceânicas são úmidas e as continentais secas. Sua umidade pode ser explicada principal­mente por causa da presença da floresta Amazônica, como veremos melhor a seguir;
- massa tropical atlântica (mTa) - quente e úmida, originária do oceano Atlântico nas imediações do trópico de Capricórnio, exerce grande influência sobre a parte litorânea do Brasil (do Nordeste até o Sul);
- massa tropical continental (mTc) - quente e seca, origina-se na depressão do Chaco (partes da Argentina e do Paraguai) e abrange uma área de atuação muito limitada, permanecendo em sua região de origem durante quase todo o ano, às vezes sofrendo uma re­tração pela penetração da frente polar;
- massa polar atlântica (mPa) - fria e úmida, forma-se nas porções do oceano Atlântico próximas à Patagônia (sul da Argentina). Atua mais no inverno, quando penetra no Brasil na forma de frente fria, provocando chuvas e declínio da temperatura. Embora a frente fria chegue, às vezes, até a Amazônia, ela influencia mais os climas do Sul do país, principalmente os das áreas localizadas abaixo do trópico de Capricórnio (que passa pela cidade de São Paulo).

O encontro entre duas massas de ar de diferentes temperaturas recebe o nome de frente. Ocorre uma frente fria, por exemplo, quando uma massa polar se desloca e empurra outra, tropical, ocupando o seu espaço. Vamos tomar como exemplo a massa polar atlântica (mPa).

A mPa se forma no Sul da Argentina e do oceano Atlântico, onde as temperaturas são mais baixas que na zona intertropical. Devido à diferença de pressão, essa massa de ar frio vai se deslocando em direção ao Equador e, à medida que entra em contato com superfícies mais quentes e massas de ar tropicais, vai se aquecendo.

Assim, por exemplo, quando passa por Porto Alegre, sua temperatura está em torno de 6ºC; em Florianópolis, 8ºC; em Santos, 16ºC; em Ilhéus, 22ºC, até que, em algum instante, sua temperatura e as condições de pressão se igualam às da massa tropical e elas se confundem. Em sua trajetória, ela transfere parte das baixas temperaturas da sua região de origem para partes da região tropical, que, em função disso, tem suas temperaturas amenizadas e as condições de umidade modificadas.

Na Amazônia, a oscilação de temperatura média mensal ao longo do ano é pequena. Nessa região, predominam massas de ar quentes. Já em Porto Alegre, o verão é quente, mas o inverno é frio para os padrões brasileiros, e não há estação seca.

Por apresentar cerca de 92% do território na zona intertropical do planeta, grande extensão no sentido norte-sul e litoral muito extenso, com forte influência das massas de ar oceânicas, há a predominância de climas quentes e úmidos no Brasil. Em apenas 8% do território, ao sul do trópico de Capricórnio, encontramos clima com maior variação térmica e certo delineamento das estações do ano, o subtropical. Observe o mapa abaixo e compare as regiões climáticas com a atuação das massas de ar no Brasil:


Fonte: MOREIRA, João Carlos, SENE, Eustáquio. Geografia para o ensino médio: Geografia geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2002.


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